Câncer

Queda na cobertura vacinal pode levar à volta de doenças já erradicada

Os índices de imunização baixos podem comprometer o cenário da saúde

Por Instituto Lado a Lado pela Vida

Imunização

20/06/2023

– Atualizado em 31/07/2023 – 14:56

No Brasil, os índices de imunização baixos podem comprometer o cenário de saúde que conhecemos hoje. Esse foi um dos temas de debate do Fórum Brasil Imune, evento do Instituto Lado a Lado Pela Vida que aconteceu em Brasília no final de junho

“Quando eu vacino o coletivo, indiretamente eu estou protegendo meu familiar, vizinho, amigo que está vulnerável. Tem que ser um pacto da sociedade. Quando eu deixo de me vacinar por egoísmo, por achar que eu não preciso tomar vacina, eu estou colocando em risco a minha família e a sociedade onde eu vivo”.

A fala da dra. Carla Domingues, consultora da Organização Pan-Americana de Saúde e pesquisadora, é um resumo de todos os debates que aconteceram durante a terceira edição do Fórum Brasil Imune. Essa foi a primeira vez que o evento aconteceu presencialmente, tendo Brasília como palco das discussões sobre vacinação.

O primeiro dia de Fórum aconteceu na sede da OPAS e trouxe os seguintes painéis para debate:

– O Cenário da Imunização no Brasil: avanços e desafios

– O Papel do Legislativo e Judiciário na Imunização

– Enfrentamento das fake-news, comunicação de risco e propostas de Estratégias para o alcance de altas coberturas vacinais

Já o segundo dia de evento foi feito no Centro de Convenções Brasil 21 e contou com os seguintes temas de discussão para os painéis:

– Alerta ligado: as baixas coberturas vacinais representam um risco eminente para o padrão de saúde que conhecemos hoje

– Populações em risco: crianças a partir de 1 ano de vida, adolescentes e idosos

– Vigilância e Vacinação são a chave para manter o controle sobre a Covid-19?

– Como ampliar o acesso à vacina por meio da informação?

– O papel do setor privado de saúde na imunização da população

Ao lado de especialistas, gestores da saúde pública e privada, sociedades de especialidades, conselhos de classe, do ministério público e da indústria farmacêutica, unimos informações de todos os lados para traçar estratégias para combater fake news, aumentar o acesso à vacina para todos do país e, dessa forma, ampliar a cobertura vacinal brasileira.

Combate às fake news

Durante o segundo dia de evento, o dr. Renato Kfouri relembrou que desinformação se espalha como um vírus – e, assim como toda doença, é preciso saber com o que estamos lidando para poder combater.

“A gente precisa encarar as fake news como uma nova doença, uma doença endêmica que nós vamos conviver com ela. Como doença, é importante a gente conhecer as causas, quem transmite, como se trata, como se previne, quais são as vacinas que a gente dispõe para enfrentar isso e sempre a informação permeando tudo isso”, explicou.

Um dos destaques do segundo dia do Fórum Brasil Imune foi o debate entre o dr. Eder Gatti e a dra. Helaine Capucho sobre covid-19, fake news e o papel da comunicação para a disseminação de desinformação e também para divulgar a importância da vacinação. Mediados por Andressa Simonini, a dupla discutiu diversas abordagens sobre o tema e deu uma verdadeira aula sobre empatia médica e necessidade de entendimento do papel do profissional de saúde.

“No começo, a procura pela vacina da covid-19 foi alta porque as pessoas tinham medo da doença. A gente via no noticiário até 4 mil pessoas morrendo por dia. Por mais antivax que a pessoa fosse, a faca estava no pescoço de todo mundo naquele momento, por isso a cobertura vacinal era bem alta – mesmo com o governo fazendo pouca publicidade e até com discurso negacionista oficial”, ressaltou Eder.

Estratégias para ampliar a cobertura vacinal

Ao longo dos dois dias de Fórum Brasil Imune, um dos temas mais abordados durante os painéis de debate foram formas de aumentar a cobertura vacinal no país, cujos números estão extremamente baixos – o que coloca o cenário de saúde que conhecemos hoje em risco, trazendo à tona o iminente perigo de várias doenças graves voltarem a aparecer.

Ao mesmo tempo em que todos os especialistas convidados sabiam do grande trabalho que existe pela frente, o clima de esperança era predominante. "Eu acho que o Programa Nacional de Imunizações se reinventa a todo momento e agora ele vai ter que se reinventar novamente. Nós temos um trabalho muito desafiador porque as vacinas são reféns do próprio sucesso, então as pessoas esquecem que a gente fez campanha de dupla viral em 2008 para acabar com a rubéola congênita e vacinamos 68 milhões de pessoas em pouco tempo", disse a dra. Ana Paula Burian durante o painel “Como ampliar o acesso à vacina por meio da informação?”.

A estratégia? Reconhecer o novo perfil dos brasileiros, seus hábitos, suas necessidades e inseguranças para que seja possível criar uma forma de acolher a todos da forma mais humana possível. "A gente precisa se reinventar, ter horários estendidos, ter acesso domingo e fim de semana. Não precisa ser todos os postos abertos esses horários, mas tem que ter uma divulgação no Instagram de uma prefeitura quais são os horários de plantão de vacinação rotineiros, quais os domingos que terá vacinação, ou um sábado à tarde para a mãe que trabalha. Temos que ter vacinação na creche, não só na escola para adolescentes, tem que ter varredura de vacinas pra gente melhorar a cobertura", finaliza a dra. Ana Paula Burian.

Se você não conseguiu acompanhar o Fórum Brasil Imune 2023, não tem problema: os dois dias de evento foram transmitidos ao vivo nas redes sociais do Instituto Lado a Lado Pela Vida e estão disponíveis para serem assistidos a qualquer momento!

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