Sessão na Câmara dos Deputados discutiu câncer de próstata
Por Instituto Lado a Lado pela Vida
Saúde Integral do…
08/11/2023
– Atualizado em 08/11/2023 – 18:30
Nesta quarta-feira, dia 8 de outubro, aconteceu na Câmara dos Deputados uma Audiência Pública para debater o tema “Câncer de próstata – prevenção, tratamento e cirurgia robótica”. A audiência ocorreu em virtude da campanha Novembro Azul, que conscientiza sobre o câncer de próstata e a saúde do homem, a pedido do Instituto Lado a Lado pela Vida para o deputado Weliton Prado, que fez o requerimento da sessão.
“Temos uma dívida muito grande com o Instituto Lado a Lado Pela Vida, com a Marlene Oliveira, que criou a campanha Novembro Azul, que hoje é exemplo no Brasil e no mundo. A campanha mais importante em relação à saúde do homem e inclusive agora queremos aprovar uma resolução na ONU reconhecendo o Novembro Azul para que todos os países no mundo façam campanhas de prevenção no mês de novembro”, declarou Weliton em sua fala de abertura.
Participaram da audiência, além do deputado Weliton Prado: Denise Blaques, diretora de planejamento e projetos especiais do Instituto Lado a Lado pela Vida; Dr. Igor Morbeck, médico oncologista; Renata Maciel, chefe de divisão de detecção precoce e apoio à organização de rede (representante do INCA); Franz Campos, chefe do Serviço de Urologia do INCA; Suyanne Camille Caldeira Monteiro, Assessora técnica da Coordenação-Geral da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde, e Fernando Pessoa de Albuquerque, assessor técnico de Atenção à Saúde do Homem do Ministério da Saúde.
Em pauta durante a discussão esteve a nota técnica de recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata, divulgada pelo Ministério da Saúde. “Em relação à nota técnica de não rastreamento, alguns países são colocados em evidência. Países que têm realidades diferentes da nossa. O homem se cuida menos que a mulher mas a responsabilidade não pode ser colocada só sobre ele. O movimento do Novembro Azul ajuda para que os homens tenham uma consciência maior, mas nós precisamos das políticas públicas nos ajudando”, disse Denise, que representou o Instituto no debate.
Ela também chamou a atenção para a estimativa mais recente do câncer de próstata, de que 72 mil novos casos surgirão por ano até 2025, fora os que já foram diagnosticados em anos passados. “Os homens negligenciam sua saúde mas também são negligenciados por ela. Até quando vamos seguir essa linha? Ano que vem vamos voltar e discutir do mesmo ponto? Quantos homens vão morrer até lá?”, questionou.
O Dr. Igor Morbeck, que também é membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, também criticou a nota e fez uma proposta. “Se o Ministério da Saúde e o INCA se preocupam com a palavra rastreamento e acham que não é viável porque isso não acontece em outras partes do mundo, eu proponho uma mudança de termo: estratificação de risco”, completando: “Estratificar é olhar para o histórico familiar, a origem genética porque indivíduos afrodescendentes têm risco mais elevado de terem câncer de próstata e de doença mais agressiva e são a base da nossa população e aí já vem o problema de comparar com países muito mais desenvolvidos que não têm a mesma proporção de população afrodescendente que nós”.
Falando em nome do Ministério da Saúde, Fernando Pessoa de Albuquerque tentou explicar a estratégia por trás da decisão. “Os homens têm menos acesso à atenção primária e quando chegam no serviço de atenção especializada, acabam sendo internados por agravos que poderiam ter sido prevenidos no âmbito das unidades básicas de saúde”, disse. “Temos o desafio do câncer de próstata e acredito na possibilidade de incluir a atenção primária como ordenadora do cuidado através de uma estratégia potente para diminuir a demora que temos no acesso dos homens aos cuidados”, completou.
Em suas considerações finais, Denise voltou a pedir que se trabalhe para uma política pública mais forte que olhe para as necessidades dos homens, em especial para aqueles que estão enfrentando o câncer de próstata e aqueles que nem têm o diagnóstico ainda. “Tenho a esperança que no próximo ano possamos estar em outro momento da nossa política, comemorando menos mortes dos homens no Brasil!”, concluiu.
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