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Doença das Válvulas – Valvopatia

O que é?

A doença das válvulas do coração, também chamada de valvopatias, é pouco conhecida pelos brasileiros, apesar de muito comum e séria. As valvopatias, que englobam doenças que comprometem o funcionamento das válvulas do coração, muitas vezes passam despercebidas por anos, agravando-se silenciosamente.

O coração possui quatro válvulas: mitral, aórtica, pulmonar e tricúspide – que desempenham um papel fundamental no bom funcionamento do órgão. As válvulas são responsáveis pelos movimentos de abertura e fechamento que levam o sangue na direção correta entre as cavidades do coração e, em seguida, a cada parte do corpo. As valvopatias são um conjunto de doenças causadas por um mau funcionamento de uma ou mais válvulas que podem ser:

– A válvula não fecha corretamente, dando lugar para que o sangue retroceda, ao invés de avançar. A isso se dá o nome de insuficiência valvar.

– A válvula não abre corretamente, o que dificulta a passagem do sangue. A isso se dá o nome de estenose ou obstrução valvar.

– As duas situações podem acontecer simultaneamente ocasionando a dupla lesão valvar, gerando um cenário ainda mais grave.

As valvopatias trazem uma fadiga para o coração, que tem que trabalhar mais para bombear o volume necessário de sangue. Com o tempo, essa carga extra traz complicações sérias para o indivíduo porque o músculo cardíaco fica debilitado o que leva, por consequência, a um quadro de insuficiência cardíaca.

A sobrecarga da musculatura do coração leva a um enfraquecimento do músculo, que chamamos de insuficiência cardíaca. A insuficiência pode ser tratada de várias maneiras, mas sua forma mais grave leva à necessidade do transplante cardíaco.

PREVALÊNCIA DAS VALVOPATIAS NO BRASIL E A FEBRE REUMÁTICA

No Brasil, um dos principais fatores de risco para as valvopatias adquiridas é a febre reumática, uma complicação de infecções bacterianas, como a faringite estreptocócica. Apesar de ser evitável, a febre reumática ainda é prevalente em áreas com acesso limitado à saúde básica, especialmente em comunidades menos favorecidas.

A prevalência no Brasil é de cerca de 30 mil casos de febre reumática por ano – doença que atinge crianças e jovens, e o tratamento deficiente desse tipo de infecção pode levar à doença cardíaca reumática, causadora de boa parte das valvopatias no país.

Além disso, com o envelhecimento da população brasileira, há um aumento significativo nos casos de estenose aórtica degenerativa, que é comum em pessoas acima de 65 anos.

A febre reumática é uma doença que afeta mais de 40 milhões de pessoas no mundo, causando mais de 300 mil mortes ao ano.

As cardiopatias reumáticas são a consequência cardíaca da febre reumática aguda em indivíduos com predisposição à doença, causada pela infecção de garganta pela bactéria Streptococus Beta Hemolítico. Elas estão profundamente relacionadas às baixas condições de desenvolvimento das comunidades e são doenças preveníveis.

Já foram identificados subtipos da bactéria que têm maior propensão a atacar o coração, mas ainda assim, trata-se de uma doença multifatorial, onde o acesso ao sistema de saúde, o tempo para obter o diagnóstico e o encaminhamento aos serviços especializados, iniciar o tratamento, o estado nutricional do paciente e condições de moradia que favorecem as infecções, são fatos que somam uma equação complexa.

Entre 3 a 4% das pessoas infectadas pela Stroptococus pyogenes, que é o subtipo da bactéria, são suscetíveis a desenvolver a doença autoimune.

PREVALÊNCIA DAS VALVOPATIAS NO MUNDO E AS DECORRÊNCIAS DO ENVELHECIMENTO

No mundo todo, a maioria das valvopatias são decorrentes do processo de envelhecimento, que gera o desgaste da válvula. E as mais comuns são a estenose aórtica e a insuficiência mitral.

O paciente descobre a valvopatia geralmente após uma dessas queixas de sintomas, em visita ao clínico geral, médico da família ou cardiologista. Nesses casos, na ausculta tradicional que deve ser feita com o estetoscópio durante o exame clínico, o médico já percebe o sopro.

O paciente deve ser, então, encaminhado para a realização de um ecocardiograma, um exame simples, mas muito eficaz, e de baixo custo. O ecocardiograma é um ultrassom do coração que possibilita ao médico identificar se o problema valvar é leve, moderado ou grave.

Nos casos de valvopatia calcificada (ou degenerativa) a doença pode evoluir a vida toda do paciente como um grau leve, mas a maioria dos casos caminha para uma evolução grave, ao decorrer dos anos.

Todo paciente com uma doença valvar deve fazer o acompanhamento anual.

AS OUTRAS VÁLVULAS

As doenças mais comuns são as das válvulas aórtica e mitral, entretanto é possível haver um acometimento da válvula pulmonar, mas a causa da estenose pulmonar é sempre congênita. Geralmente, é descoberta ocasionalmente na fase adulta e somente em casos muito raros é necessária a intervenção no bebê.

No caso da válvula tricúspide, ela pode ficar comprometida em decorrência da valvopatia mitral e, mais raramente devido a uma cardiopatia reumática.

DOENÇA DA CALCIFICAÇÃO

5% das pessoas acima de 75 anos desenvolvem estenose aórtica. A estenose aórtica é uma condição tratável, quando diagnosticada precocemente. Com a ajuda de um estetoscópio, o médico é capaz de identificar a estenose por um sopro característico no coração, que geralmente é o primeiro indício de um problema nas válvulas.

O diagnóstico também é feito, quando o indivíduo chega ao profissional de saúde com um sintoma identificado.

DOENÇA DEGENERATIVA DA VÁLVULA MITRAL

10% das pessoas acima de 75 anos desenvolvem insuficiência mitral.

A insuficiência mitral pode ser causada por degeneração em decorrência do envelhecimento, que é a principal causa. Existe uma causa secundária para a doença que é a dilatação do ventrículo esquerdo, seja por causa de placas de gordura obstruindo as artérias (isquêmica) ou pelas miocardiopatias ou até sem causa definida.

A condição pode aumentar o risco de batimentos cardíacos irregulares, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca. A cirurgia de válvula mitral cardíaca aberta é o tratamento padrão, mas muitas pessoas possuem um risco muito alto para o procedimento invasivo. E as medicações agem na redução de sintomas e não são capazes de interromper a progressão da doença.

É a doença cardíaca mais comum entre os idosos.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco para as valvopatias são

– Idade

– Deformação da válvula aórtica (nascimento)

– Febre reumática

– Doença renal crônica

Sintomas

Muitas vezes, as valvopatias são precedidas por um longo período assintomático, caracterizado por baixa morbi-mortalidade (incidência de morte súbita inferior a 1% ao ano), sendo facilmente confundidos com os ligados ao processo natural de envelhecimento:

• Dor no peito

• Fadiga

• Falta de ar

• Dificuldade para se exercitar

• Desmaio

As valvopatias podem evoluir com sintomas de insuficiência cardíaca como dispneia aos esforços, ortopneia (desconforto ao respirar quando o paciente estiver deitado de barriga para cima), dispneia paroxística noturna (falta de ar durante o sono, que pode causar sensação de sufocamento, fazendo com que a pessoa tenha que se sentar), tosse, chiado, hemoptise (tosse com sangue), edema periférico (inchaço nos pés e tornozelos), fadiga, além de casos onde o paciente pode apresentar arritmias e angina (dor no peito).

Diagnóstico

Quando a doença cardíaca reumática é detectada precocemente, injeções de penicilina são usadas para prevenir novos episódios da febre reumática e assim, evitar danos para as válvulas do coração e a progressão da doença4.

É muito mais comum que os serviços especializados recebam crianças já em estado de moderado a grave.

Casos moderados são tratados com medicação (diuréticos, vasodilatadores) até o quanto for possível adiar a cirurgia. Quando a cirurgia se torna inevitável, a primeira tentativa é sempre a plastia da válvula. Quando mais tarde for possível a troca por uma prótese, melhor, para que se evite tantas trocas ao longo da vida (a durabilidade média de uma prótese situa-se entre 10 e 15 anos).

Por tratar-se de uma complicação de uma infecção muito prevalente, mas que só complicará em quem tem predisposição, o rastreio é muito difícil. Da infecção pelo Streptococus à doença cardíaca existe um tempo muito variável, que pode levar muitos anos o que torna uma incógnita o momento exato para realizar essa busca ativa por pacientes. O progresso social que oferece acesso mais rápido ao sistema de saúde e consequente tratamento das infecções agudas com antibiótico pode fazer com que o Streptococus não tenha tempo para atacar o sistema imunológico da criança, possibilitando a diminuição de casos de doença valvar no futuro.

Tratamento

O tratamento do paciente com doença valvar vai depender de vários fatores, como a causa da doença, idade e que tipo de doença ele tem. O tratamento definitivo é o procedimento cirúrgico, que pode ser tradicional (cirurgia cardíaca abrindo o peito) ou a minimamente invasiva ou transcateter (TAVI).

PARA AS CARDIOPATIAS REUMÁTICAS

O tratamento definitivo das valvopatias causadas pela doença reumática é feito através da cirurgia aberta convencional, que é mais agressiva no sentido de durar mais horas, precisar de anestesia mais longa, risco de mais sangramento e mais tempo de recuperação.

PARA AS DOENÇAS DO ENVELHECIMENTO

O procedimento ideal é sempre a reparação da válvula original, que chamamos de plastia, pois os estudos têm mostrado melhores resultados a longo prazo comparado com a troca valvar.

Quando não há como ser feito esse reparo em decorrência do grau de lesão, deve ser feita a troca da válvula por uma prótese que pode ser biológica ou mecânica.

INSUFICIÊNCIA MITRAL

Nos casos em que há a insuficiência mitral degenerativa ou funcional é possível o tratamento por meio de uma nova tecnologia chamada de MitraClip®, ainda não coberta por planos de saúde e não disponível no SUS.

Trata-se de um dispositivo que repara a válvula mitral sem a necessidade de um procedimento cirúrgico invasivo. O dispositivo é inserido no coração através da veia femoral, um vaso sanguíneo na perna, e uma vez que o dispositivo esteja implantado, ele aproxima os folhetos valvares, proporcionando um fechamento adequado dos mesmos. Assim permite que o coração bombeie sangue de maneira mais eficiente, aliviando os sintomas e melhorando a qualidade de vida.

O procedimento não é indicado quando a etiologia da doença é a cardiopatia reumática.

Fonte: GLOBAL HEART HUB Atualizado em 02/2025 Pesquisado em 15/03/2021 SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA https://www.portal.cardiol.br Atualizado em 08/2020 Pesquisado em 04/03/2021

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