O que é?
A acromegalia é uma doença crônica rara, causada pelo excesso na produção do hormônio do crescimento (GH), que estimula a secreção hepática do Fator de Crescimento semelhante à Insulina tipo I (IGF-I). Na maior parte dos casos, esse excedente hormonal se dá por conta de adenoma hipofisário secretor de GH, os somatotropinomas; mais raramente, a doença é causada pela hipersecreção do hormônio liberador de GH.
Considerada silenciosa e de desenvolvimento lento, a acromegalia pode levar de 7 a 10 anos para ser diagnosticada, e o atraso na identificação é diretamente ligado a complicações cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas.
Por conta do excesso de hormônios de crescimento, as manifestações típicas são o crescimento exagerado nas extremidades do corpo, incluindo pés, mãos, língua, boca, nariz; além de alterações craniofaciais e no sistema osteoarticular. Todos esses sinais e sintomas são avaliados clinicamente e o diagnóstico inclui ainda exames laboratoriais e de imagem.
Sem o diagnóstico e tratamento, a acromegalia representa um alto risco de mortalidade ao paciente. Atualmente, os sistemas de saúde público e particular oferecem o tratamento medicamentoso, radioterapia e procedimento cirúrgico. Este último é considerado o tratamento primário para a maioria dos casos, já que a retirada do tumor pode levar a cura. Independente do caso, o paciente deve ser acompanhado por toda a vida, já que há chances de recidiva da doença.
Fatores de risco
A acromegalia acomete igualmente homens e mulheres e seu diagnóstico é mais frequente em pessoas de 30 a 50 anos. Como a causa mais comum da doença é o surgimento espontâneo de tumor benigno, não é considerada uma condição hereditária nem possui medidas preventivas. No entanto, a atenção aos sintomas favorece o diagnóstico em fases iniciais, evitando complicações e alta taxa de óbito da doença.
Sintomas
Os sintomas da acromegalia podem variar de acordo com a faixa etária. Antes do fechamento das cartilagens, pacientes jovens acometidos da doença sofrem um aumento exagerado da estatura, chamado de gigantismo. E, embora a doença afete igualmente homens e mulheres, alguns sinais também podem ser distintos.
Conheça quais são os mais frequentes
– Crescimento exagerado das extremidades, principalmente mãos, pés e orelhas
– Complicações musculoesqueléticas (dores nas articulações, síndrome do túnel do carpo, miopatia)
– Diabetes
– Hipertensão arterial sistêmica
– Cardiopatias
– Apneia do sono
– Produção de leite nas mamas de homens e mulheres que não estejam grávidas ou amamentando (galactorreia)
– Espessamento da pele
– Cansaço e fadiga
– Alterações na visão
Estas são algumas das manifestações mais comuns da doença. Pacientes do sexo feminino também podem apresentar alterações menstruais e, em homens, mau funcionamento dos testículos e doenças prostáticas.
Para complementar a avaliação clínica, devem ser realizados exames laboratoriais, para dosagem dos hormônios, e de imagem, que irão identificar a presença ou não de tumor na hipófise.
Tratamento
Para a maioria dos casos, o tratamento da acromegalia é feito com a cirurgia para remoção do tumor que acomete a hipófise. A cirurgia bem-sucedida resulta em controle dos hormônios GF e IGF-1 e melhora dos sintomas e complicações que o adenoma possa acarretar.
Embora raro, pode ocorrer o diagnóstico clínico e laboratorial de acromegalia sem evidência de adenoma. Nestas situações, a recomendação é investigar tumores ectópicos por meio de tomografia computadorizada de tórax e abdominal.
Aos pacientes com contraindicação para cirurgia, ou que não responderem satisfatoriamente ao procedimento, podem ser indicados a radioterapia ou o tratamento medicamentoso, que também pode ser aplicado nas etapas pré e pós cirurgia. As terapias medicamentosas disponíveis são voltadas ao controle dos sintomas da doença por meio da regulação hormonal, e incluem agonistas da dopamina (cabergolina) e análogos da somatostatina (octreotida e lanreotida).
Após o início do tratamento, os pacientes com acromegalia devem ser avaliados periodicamente para verificar a eficácia do tratamento e monitorar o possível desenvolvimento de toxicidade aguda ou crônica. Como existe a possibilidade de recidiva da doença, o acompanhamento deve permanecer por toda a vida, incluindo avaliações clínica e laboratorial.