Acesso pode ser ampliado com relação ao diagnóstico preventivo
Por Instituto Lado a Lado pela Vida
Câncer
19/12/2023
– Atualizado em 19/12/2023 – 11:55
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) é prevalente e transitória, na maioria dos casos, mas pode persistir e levar ao desenvolvimento de lesões precursoras com potencial cancerígeno. Os tipos 16 e 18 do HPV, em especial, estão associados a 70% dos casos de câncer do colo do útero, um dos órgãos mais afetados pela infecção do vírus.
Dos mais de 291 milhões de mulheres mundialmente portadoras de HPV, 32% possuem os tipos 16, 18, ou ambos. A prevenção mais eficaz ao desenvolvimento da neoplasia envolve a vacinação, preferencialmente antes do início da vida sexual, e a realização de exames periódicos, como o Papanicolaou, capazes de detectar lesões precursoras. O exame, oferecido em todas as unidades básicas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), deve ser feito preferencialmente pelas mulheres entre 25 e 64 anos, que têm ou já tiveram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo de um ano e, se os resultados forem normais, o exame passará a ser realizado a cada três anos.
Embora a vacinação e os exames periódicos sejam fundamentais, diversos obstáculos ainda dificultam o acesso das mulheres a esse diagnóstico, incluindo questões culturais e barreiras sociais. Para contornar essas dificuldades, uma alternativa inovadora surge no cenário da saúde feminina: a autocoleta para detecção do vírus HPV mediante teste molecular.
Disponível na rede privada de saúde do Brasil a partir deste ano, o autoexame permite que as mulheres realizem a coleta em seu ambiente domiciliar, com uma haste de algodão (swab) e, na sequência, enviem a amostra para análise laboratorial. Essa opção traz benefícios significativos, como maior privacidade, flexibilidade de horários e uma relação custo-benefício atrativa, já que os valores praticados pelos laboratórios da rede particular de saúde são semelhantes aos do exame convencional.
Um estudo realizado no Chile, em 2013, revelou que 90% das mulheres que já realizaram o Papanicolau declararam sentir menos desconforto com a autocoleta. Apesar de ainda não ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde implementou um projeto-piloto em cinco municípios brasileiros, visando avaliar a viabilidade de incluir o autoexame do HPV no sistema público de saúde. Estes municípios estão distribuídos por diferentes regiões do país: Ouro Preto (MG), Goiânia (GO), Natal (RN), Maringá (PR) e Manaus (AM).
Uma das vantagens notáveis do autoexame em relação à citologia convencional é sua maior sensibilidade. Com resultado negativo, o intervalo para a próxima coleta pode ser estendido para cinco a dez anos, permitindo direcionar os esforços de rastreamento a outras mulheres não rastreadas. Essa característica se mostra crucial no contexto brasileiro, já que há anos o país não atinge a cobertura mínima recomendada para exames de prevenção do câncer de colo do útero.
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