Câncer

Cardiomiopatia Hipertrófica

Por que o diagnóstico da doença ainda é tão difícil?

Por Instituto Lado a Lado pela Vida

Saúde do Coração

27/09/2023

– Atualizado em 27/09/2023 – 17:33

Sem o diagnóstico e os devidos cuidados, a doença pode causar arritmias cardíacas fatais

As cardiomiopatias são doenças do músculo cardíaco que configuram alterações na estrutura e função do coração, sendo que podem ter causas genéticas ou adquiridas.

Entre elas, está a cardiomiopatia hipertrófica que segue atualmente como uma doença pouco diagnosticada, afetando um a cada 500 pacientes e podendo ser uma das principais causas de morte súbita, principalmente em atletas de alta performance.

Mas o que é a cardiomiopatia hipertrófica?

A cardiomiopatia hipertrófica é um conjunto de doenças cardíacas que levam a um quadro de hipercontração e rigidez do músculo do coração, cuja consequência é a hipertrofia da parede do coração. Com o desenvolvimento da hipertrofia ocorre um aumento significativo da fibrose no músculo cardíaco, podendo causar arritmias cardíacas graves e fatais, em especial quando a pessoa pratica exercícios de alto rendimento.

O termo cardiomiopatia faz referência ao desgaste progressivo da estrutura e da função das paredes musculares das câmaras do coração, sendo que há mais dois tipos principais de cardiomiopatia, além da hipertrófica. Veja a seguir:

Cardiomiopatia dilatada: composta por um conjunto de alterações do músculo cardíaco onde os ventrículos (as duas câmaras inferiores do coração) aumentam de tamanho (dilatam), e não são mais capazes de bombear sangue suficiente para atender as necessidades do corpo, resultando em insuficiência cardíaca.

Cardiomiopatia restritiva: reúne um grupo de doenças cardíacas nas quais as paredes dos ventrículos (as duas câmaras inferiores do coração) se tornam rígidas, mas não necessariamente espessas, resistindo ao enchimento normal com sangue entre os batimentos.

Sintomas



Os sintomas da doença podem variam muito, sendo os principais motivos de alerta

· Desmaios

· Dor no peito

· Fadiga

· Falta de ar

· Sensação de batimentos cardíacos irregulares e acelerados ou palpitações

· Sopro (nesse caso o médico detectará quando auscultar o coração)

Alerta para os fatores que sugerem um risco aumentado de morte

· Histórico familiar de morte súbita

· Desmaio sem explicação, parada cardíaca ou taquicardia ventricular

· Ocorrência de ritmos cardíacos rápidos e anormais

· Gravidade do espessamento do músculo cardíaco

· Incapacidade do coração de bombear sangue suficiente

· Ter familiares de primeiro grau com a doença

· Ter na família pessoas que já faleceram de morte súbita

A hipertrofia do coração quando se tem cardiomiopatia hipertrófica costuma se desenvolver em pessoas muito jovens, em geral, na adolescência e no início da idade adulta. Já o diagnóstico da doença é um grande desafio, com cerca de 90% dos pacientes seguindo sem sintomas. Para essa grande parcela da população a descoberta da doença pode ocorrer em consultas médicas de rotina ou após uma fatalidade, como a morte súbita.

Os exames mais utilizados e que apresentam maior eficácia são o ecocardiograma, eletrocardiograma e a ressonância magnética do coração. Em geral, os médicos suspeitam da doença tendo como base os sintomas apresentados e os resultados do exame físico, eletrocardiograma e radiografia torácica. No entanto, os sons cardíacos e outros sopros ouvidos por meio de um estetoscópio também podem ser úteis para o diagnóstico.

O cateterismo cardíaco, um procedimento invasivo, também pode ser realizado com frequência para medir as pressões nas câmaras cardíacas e o grau de bloqueio do fluxo de sangue saindo do ventrículo esquerdo devido ao espessamento das paredes.

Um teste genético também pode ser feito para ajudar a identificar familiares afetados pela doença, uma vez que, a cardiomiopatia hipertrófica é geralmente causada por uma mutação genética. Mas, mesmo o componente genético sendo de grande relevância para a doença, ele só está presente em cerca de 50% dos casos estudados. Desta forma, existem outros fatores que causam a doença, mas que ainda são desconhecidos dos pesquisadores e da comunidade médica. Dois outros exames complementares podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico, o teste ergométrico e o monitor Holter 24 horas.

Como tratar a cardiomiopatia hipertrófica?

Assim que o diagnóstico é fechado existe a necessidade de acompanhar esse paciente de perto. De maneira geral, o tratamento é clínico, com medicamentos como os betabloqueadores e os bloqueadores do canal de cálcio. A cirurgia também pode ser uma opção para pacientes que apresentam obstrução.

Como fica a prática esportiva?

Sem dúvida nenhuma, a prática esportiva é um fator muito importante para os pacientes diagnosticados com a cardiomiopatia hipertrófica. Anos atrás, ao se confirmar o diagnóstico a proibição para a prática de esportes era total. Hoje em dia, a recomendação é que o paciente evite os esportes de alto impacto.

Cuidar da saúde é sempre muito importante para a prevenção de doenças, mas em caso de um diagnóstico, como o de uma cardiomiopatia hipertrófica, iniciar o tratamento adequado e o acompanhamento necessário é fundamental. Por isso, é importante sempre observar sintomas suspeitos e consultar um cardiologista para que seja possível se obter um diagnóstico assertivo e iniciar o tratamento o quanto antes.

Por ser, nos casos estudados uma herança genética não é possível falar em prevenção da doença. O que é possível fazer, no caso das pessoas que já sabem que têm tendência para desenvolver a doença, seja por ter irmãos, pais ou filhos com a cardiomiopatia hipertrófica, é procurar ajuda médica e fazer os exames necessários para diagnosticar o mais rápido possível e tratá-la adequadamente.

E após o diagnóstico, além de seguir o tratamento prescrito, realizar uma mudança de hábitos com a adoção de dietas balanceadas, realização de exercícios físicos orientados pela equipe médica, tomar muito cuidado com a ingestão de bebidas alcoólicas e manter um maior controle do peso.

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