Momento contou com a participação do oncologista Dr. Drauzio Varella
Por Instituto Lado a Lado pela Vida
Política Pública
30/08/2023
– Atualizado em 12/09/2023 – 16:23
As discussões foram voltadas ao financiamento na oncologia, regulação e incorporação de novas tecnologias para o câncer
O segundo dia do Seminário de Integração das Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs) e dos Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACONs) ocorreu na quarta-feira (30) e teve sua abertura realizada pela relatora da Comissão Especial de Combate ao Câncer, a Deputada Federal Silvia Cristina. Em suas considerações iniciais expressou o desejo de enxergar os resultados das discussões realizadas acerca do câncer, “O papel tudo aceita, mas queremos fazer com que o resultado positivo que vem da vivência de vocês, chegue lá na ponta para os nossos pacientes. É só dessa maneira que vamos conseguir mudar o cenário do câncer no país.”, destacou.
O painel “Financiamento na Oncologia” foi o primeiro do dia e teve como mediador o médico oncologista e ex-ministro da Saúde Nelson Teich que em diversos momentos reforçou que a criação de uma Nova Política Nacional do Câncer é uma estratégia para que os pacientes de câncer vivam um novo momento na oncologia do país. “Temos que sair do zero. Não adianta ficar olhando para o passado. É olhar daqui pra frente como funciona. A criação da lei é muito mais do que isso, é a criação de uma política, uma inteligência, para tentar levar uma oncologia e uma linha de cuidados de câncer muito boa para esse país.”, disse em uma de suas pontuações.
O Dr. Fernando Henrique Albuquerque Maia, coordenador geral da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer também esteve presente e destacou sobre a demora no atendimento dos pacientes de câncer que ocorre atualmente no Brasil, “Dentro dos recursos de saúde, é necessária uma ampliação na área da oncologia, que precisa das coisas com velocidade, o paciente não pode ficar em uma fila ou desassistido. Temos que pensar o melhor modelo possível para que o paciente tenha a atenção certa no momento oportuno.”, ressaltou.
No mesmo painel, o Dr. Carlos Gil, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica falou sobre a necessidade de encontrar recursos financeiros tanto através do setor público como no privado, “Temos cerca de 3% dos recursos do SUS aplicados à oncologia e em um país com diversos problemas de saúde, o objetivo não é tirar orçamento de outras áreas. Por isso, acredito que precisamos de fontes alternativas de financiamento, tanto públicas quanto privadas.”, declarou.
O Deputado Federal Weliton Prado reforçou a importância da aprovação da Nova Política Nacional do Câncer, “Um dado preciso é que faltam recursos. Para que os pacientes tenham acesso à prevenção, diagnóstico, tratamento, temos que aprovar no Senado a Nova Política Nacional de Enfrentamento ao Câncer e depois garantir sua implementação. Estamos propondo novas formas de apontar recursos para o câncer, como definir um fundo nacional que vai ser abastecido de forma permanente.”, concluiu.
Ao final do painel, o Dr. Nelson Teich evidenciou a importância da informação e da coleta de dados para que o caminho da prevenção, diagnóstico e tratamento seja certeiro em um país tão grande e heterogêneo como o Brasil. O Dr. Teich também ressaltou o papel do Instituto Lado a Lado Pela Vida para o cuidado, a conscientização e a prevenção do câncer no país.
Ainda pela manhã ocorreu o painel “Incorporação de Novas Tecnologias – Medicamentos” no qual especialistas e representantes de empresas farmacêuticas levantaram debates e soluções sobre a economia, um dos maiores desafios que o sistema de saúde brasileiro enfrenta. Na ocasião e a convite do Instituto Lado a Lado Pela Vida, o Dr. Drauzio Varella, um dos primeiros nomes da oncologia no Brasil, participou por meio de um vídeo e comparou o cenário do câncer no país ao longo das gerações e até o momento atual, “É difícil organizar o tratamento oncológico num país do tamanho do Brasil e com um SUS tão abrangente. Aí entra a importância dos CACONS e UNACONS, cuja finalidade é organizar o atendimento dos pacientes com câncer. As drogas costumam ser caras, os tratamentos demorados e muitas vezes a pessoa vive em lugares que não há condições de oferecer tratamentos mais complexos. Existe uma tarefa importante pela frente que envolve a prevenção e a educação, que é fundamental.”, frisou sobre a importância das Unidades de Alta Complexidade em Oncologia.
No mesmo painel, a Dra. Marta Diez, presidente da Pfizer Brasil trouxe sua visão sobre o câncer no país, “Tão importante quanto trazer inovações é assegurar que elas cheguem à ponta, para as pessoas que precisam. O impacto do câncer no Brasil é profundo, afeta famílias e comunidades inteiras. O momento é propício para proporcionar tratamentos mais eficazes, melhores prognósticos e o mais importantes, salvar vidas.”, apontou.
À tarde aconteceu o painel “Regionalização e Regulação” moderado pelo Deputado Federal Dr. Daniel Soranz, que também é médico oncologista e Secretário Municipal de Saúde do RJ. Ele ressaltou a importância do planejamento para a tomada de decisão, que as responsabilidades de cada estado e município devem ser claras e expressou seu desejo de ver alguns resultados dentro do período de um ano.
O Deputado Federal Leo Prates, relator da Nova Política Nacional do Câncer destacou que a ampliação da oferta de atendimento é importante, porém, a atenção primária deve ser tida como prioridade para diminuir a demanda, ou seja, para que os casos de câncer diminuam. “O trabalho de prevenção ao câncer tem que ser permanente. Temos que encaixar as regulações para que com o controle especializado o paciente não fique “girando” dentro do sistema. A primeira grande ação que devemos ter é uma rede de dados consistente, e está clara no projeto [PL Nº 2952/2022]. Conhecer quem são nossos pacientes, como estão, quem está com suspeita de câncer, quem já está em tratamento, quais as dificuldades, porque o conhecimento dos dados é o primeiro passo para a solução.”, concluiu em seu momento de fala.
O último painel do dia, chamado “Incorporação de tecnologias em saúde – Equipamentos e Dispositivos” teve a moderação do Dr. Fernando Silveira, presidente da ABIMED e contou com a participação de representantes da indústria farmacêutica e especialistas em saúde que trouxeram informações técnicas sobre as tecnologias, justamente no que diz respeito aos equipamentos e dispositivos, disponíveis para a oncologia atualmente.
O Dr. Rodrigo Pinheiro, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica encerrou o segundo dia de debates e palestras sobre os CACONs e UNACONs e trouxe em sua fala a seguinte colocação: “Temos dois sistemas de saúde [o público e o suplementar] que muitas vezes não se conversam, mas o fato é que estamos diante de uma doença séria. Quanto mais antecipamos a prevenção, diminuímos custos para os dois sistemas, aumentamos nossa possibilidade de êxito e salvamos vidas.” e ressaltou ainda que o paciente deve sempre estar no centro da linha de assistência para que possa se prevenir, quando possível se curar e ter acesso à reabilitação e cuidados paliativos.
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