Novembro de 2020. Instituto Lado a Lado pela Vida.
No ano de 2020, o mundo deu início ao enfrentamento da pandemia desencadeada pelo novo coronavírus, o que colocou a saúde no centro de todas as discussões. De acordo com o Ministério da Saúde, a Covid-19 se mostrou mais letal entre homens pardos, com mais de 60 anos e com comorbidades.
Em meio a esse cenário desafiador, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) decidiu investigar como o vírus, a doença por ele causada e suas consequências afetaram a saúde da população masculina brasileira. O estudo "A saúde do homem na pandemia" teve como objetivo medir os sentimentos, mapear a saúde física e emocional dos homens de todas as faixas etárias e compreender as mudanças na rotina diante do maior desafio sanitário global já enfrentado.
A divulgação dos resultados ocorreu durante o mês da campanha Novembro Azul, o movimento criado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em 2011 e que se tornou amplamente conhecido no Brasil. A principal mensagem da campanha é alertar para a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, buscando conscientizar os homens sobre o cuidado integral com a saúde.
O estudo, realizado entre 15 de julho e 21 de setembro, foi coordenado pela especialista em pesquisas e inteligência de mercado, Roberta Pimenta, e contou com a participação de 1.080 homens de todas as regiões brasileiras, com idades entre 14 e mais de 66 anos.
Um dos principais aspectos revelados pela pesquisa foi o impacto na saúde mental dos participantes, uma vez que 96% deles declararam vivenciar ao menos um sentimento negativo durante a quarentena, como ansiedade, estresse e desânimo. Surpreendentemente, apesar de 87% dos entrevistados acreditarem que sua saúde física está bem, esse índice cai para 78% quando questionados sobre sua saúde mental. Ainda mais significativo é o fato de que apenas 19% se autoavaliaram como muito bem em relação à saúde mental, em comparação aos 33% que se consideraram muito bem em relação à saúde física.
Em relação à saúde física, 60% dos homens declararam possuir ao menos um fator de risco para o agravamento da Covid-19, sendo que 15% apresentam a combinação de três ou mais fatores de risco. Os hipertensos foram o grupo com a maior prevalência de comorbidades (81%), principalmente relacionadas à obesidade, diabetes e idade acima de 60 anos.
As medidas de prevenção ao contágio pelo coronavírus tiveram grande adesão entre os entrevistados: 96% afirmaram usar máscara ao sair de casa; 89% evitam aglomerações; 88% lavam as mãos frequentemente; e 70% utilizam álcool para higienização. No entanto, os dados indicam que os jovens têm maior tendência a quebrar o isolamento social, com 25% deles declarando não evitar aglomerações e um terço saindo de casa mesmo sem necessidade. A partir dos 46 anos, é quase unânime a adoção da medida de evitar aglomerações, embora os homens ainda saiam de casa sem necessidade nessa faixa etária.
Quanto ao acesso aos serviços de saúde, 17% dos entrevistados relataram ter sido atendidos remotamente por médicos, psicólogos ou outros profissionais de saúde. No entanto, 44% declararam ter diminuído a frequência de visitas ao médico, 13% interromperam tratamentos médicos que realizavam antes da pandemia e 10% adiaram cirurgias ou procedimentos médicos. Além disso, os atendimentos remotos foram mais frequentes entre aqueles que possuem plano de saúde, sendo reportados por apenas 11% dos homens atendidos exclusivamente pelo SUS.
A pesquisa "Você e a Covid-19 – A saúde do homem na pandemia" revelou importantes dados sobre o impacto da pandemia na saúde dos homens brasileiros, apontando para questões relacionadas à saúde mental, comorbidades e acesso aos serviços de saúde. Essas informações ressaltam a importância de campanhas de conscientização, como o Novembro Azul, para incentivar a busca por cuidados integrais e o diagnóstico precoce, contribuindo para a promoção da saúde masculina no país.
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