O que é?
Conhecido também como câncer gástrico, o câncer de estômago é um dos tumores do trato gastrointestinal mais frequentes no Brasil, ficando atrás do câncer de cólon e de reto.
Geralmente, ele se desenvolve de forma lenta (de dois a três anos) e pode surgir por meio de alterações pré-cancerígenas no revestimento do estômago. Sendo assim, na fase inicial não apresenta sintomas e quando existem podem ser confundidos com outras doenças, como gastrite.
Em sua fase mais avançada, o câncer há a formação de úlceras na mucosa, penetrando as camadas mais profundas do estômago e até invadindo os órgãos vizinhos, como esôfago, duodeno, pâncreas e baço.
A doença atinge mais frequentemente pessoas acima de 65 anos de idade e o risco médio de uma pessoa vir a desenvolver câncer de estômago em sua vida é cerca de 1 em 116. A incidência nos homens é 1,5 vez maior do que nas mulheres.
No Brasil, o câncer de estômago é o quarto tipo mais frequente entre homens e o sexto entre as mulheres.
OCORRENCIAS FREQUENTES
O tipo mais comum de câncer de estômago é o adenocarcinoma que, atinge em sua maioria, homens por volta dos 60-70 anos. Costuma ser mais frequente em países menos desenvolvidos, devido à falta de refrigeração e armazenamento adequados dos alimentos.
Conheça tipos mais comuns de câncer de estômago
– Adenocarcinoma: representa cerca de 95% dos tumores de estômago. Se desenvolve a partir das células que formam a camada mais interna do estômago.
– Linfoma: corresponde a 3% dos cânceres de estômago e são tumores do sistema imunológico.
– Tumor gastrointestinal: são mais raros e iniciados nos tecidos que dão origem aos músculos, ossos e cartilagens. Podem ser tumores benignos ou malignos.
Fatores de risco
Ainda não são conhecidas as causas do câncer de estômago, mas alguns fatores podem ser identificados:
> Alimentação: alimentos mal armazenados e com pouca refrigeração, como salgados, defumados e embutidos, podem contribuir para o desenvolvimento desse tipo de câncer, bem como o consumo excessivo de sal e fatores ligados à obesidade.
> Anemia perniciosa: algumas células do revestimento do estômago normalmente produzem uma substância (fator intrínseco) que absorve a vitamina B12 dos alimentos. Essas pessoas desenvolvem a anemia perniciosa e têm mais chances de desenvolver o câncer de estômago.
> Atividade profissional: exposição de trabalhadores rurais a uma série de compostos químicos, em especial agrotóxicos. Contato direto com radiação ionizante, como raios X e gama. Pessoas que trabalham nas indústrias de carvão, metal e borracha são mais propensas a desenvolver esse tipo de câncer.
> Combinação de tabagismo com bebidas alcoólicas ou com cirurgia anterior do estômago.
> Histórico familiar: considera-se o câncer gástrico familiar quando o tumor for do tipo indiferenciado (mucocelular ou células em anel de sinete) e houver pelo menos dois casos do mesmo tipo de câncer em consanguíneos diretos, sendo um deles jovem, com menos de 40 anos de idade.
> Idade: a doença acomete com mais frequência pessoas acima dos 50 anos de idade.
> Ingestão de água proveniente de poços com alta concentração de nitrato.
> Infecção por bactéria: o Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria que é capaz de causar alterações pré-malignas na mucosa do estômago, que podem aumentar o risco de câncer.
> Gênero: é mais comum em homens do que mulheres.
> Mutações genéticas: as pessoas com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2, do câncer de mama hereditário, também podem ter um risco aumentado para câncer de estômago.
> Pólipos: no estômago são raros, mas o tipo adenomatoso é o mais perigoso.
> Raça: os asiáticos correm mais riscos de desenvolver o câncer de estômago. Acredita-se que devido a hábitos alimentares.
> Sangue tipo A: por razões desconhecidas, as pessoas com sangue tipo A têm um risco aumentado de desenvolver esse tipo de câncer.
> Síndromes hereditárias: câncer gástrico hereditário difuso, câncer colorretal não poliposo hereditário, polipose adenomatosa familiar, síndrome de Li-Fraumeni e síndrome de Peutz-Jeghers, podem aumentar o risco do câncer de estômago.
> Tabagismo: o risco de câncer de estômago é duas ou mais vezes maior nos fumantes do que nos não-fumantes.
Sintomas
Na fase inicial, o câncer de estômago não costuma apresentar sintomas. E, em alguns casos, os sinais são confundidos com doenças gástricas. Calcula-se que apenas 20% dos cânceres de estômago são diagnosticados em estágios iniciais. Fique atento a esses sinais:
> Dor abdominal: cerca de 60% dos pacientes apresenta dor nessa região. A sensação de desconforto abdominal persistente pode tanto indicar doença benigna (úlcera, gastrite) quando maligna (tumor de estômago). No exame físico feito pelo médico, o paciente pode sentir dor no momento em que o estômago é palpado.
> Náuseas e vômitos: esses sintomas estão presentes em cerca de 50% dos pacientes devido ao tumor reduzir o espaço interno do estômago. Muitas vezes é notada uma forte sensação de indigestão.
> Perda de peso: com diminuição do apetite e cansaço.
> Queimação e azia: esses sintomas são semelhantes aos das úlceras.
> Vômitos com sangue: o vômito com sangue ocorre em cerca de 10% a 15% dos casos. Os sangramentos gástricos são incomuns para o câncer de estômago. Ocasionalmente podem surgir sangue nas fezes, fezes escurecidas, pastosas e com odor muito forte (indicativo de sangue digerido).
> Massa palpável: pode aparecer na parte superior do abdômen. O fígado pode sofrer aumento de tamanho com possibilidade da presença de íngua na área inferior esquerda do pescoço e nódulos ao redor do umbigo indicando estágio avançado da doença.
> Metástase: neste caso, podem ocorrer pele amarelada, aumento do volume abdominal causado pelo acúmulo de líquido na cavidade, falta de ar, tosse e dores ósseas.
Prevenção
Saiba como incorporar hábitos no dia a dia ajudam a diminuir os riscos
> Alimentação: manter uma alimentação balanceada, com vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras, desde a infância, é um bom começo para prevenção. É indicado evitar alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal assim como beber água de poços com alta concentração de nitratos.
> Atividade física: realizar exercícios ajuda a manter o peso e diminuir o risco do câncer de estômago.
> Tabagismo: o uso do tabaco pode aumentar o risco de câncer de estômago da região próxima ao esôfago.
> Tratamento da infecção por H.pylori: estudos sugerem que receitar antibióticos para pessoas com esse tipo de infecção pode reduzir o número de lesões pré-cancerígenas no estômago.
Diagnóstico
Um dos principais exames de identificação do câncer de estômago é a endoscopia digestiva alta. É geralmente solicitado para pacientes que apresentam fatores de risco ou quando os sinais e sintomas sugerem presença da doença.
Ao procurar o médico, a pessoa deverá relatar seu histórico clínico completo, passando informações sobre os sintomas, os fatores de risco e a genética. Na ocasião, pode ser realizado um exame físico para avaliar a região abdominal.
É muito importante o acompanhamento regular, com consultas frequentes para que o médico possa comparar o estado de saúde atual do paciente com o relatado na última consulta. O paciente, por sua vez, deve relatar ao médico toda e qualquer alteração em seu organismo surgida entre as consultas.
Como o câncer de estômago não apresenta sintomas específicos, a maioria dos casos é diagnosticada tardiamente.
Na consulta regular, se o médico identificar alguma possível suspeita, poderá solicitar alguns exames como:
> Análise de amostras: confirma ou não a presença do câncer durante a biópsia. Por meio dele também é possível identificar o tipo de câncer.
> Endoscopia digestiva alta: é um dos principais exames utilizados para identificar o câncer de estômago. O procedimento acontece após o paciente ser sedado. O médico insere um tubo flexível com luz e câmara na extremidade pela garganta para averiguar o esôfago, o estômago e a primeira parte do intestino delgado. Se alguma lesão é encontrada, realiza-se uma biópsia. O câncer, ao ser visualizado, parece uma úlcera, massa em formato de cogumelo com saliências.
> Laparoscopia: após a confirmação do câncer, os especialistas podem pedir esse exame para confirmar a localização do tumor e se pode ser removido cirurgicamente. Nesse procedimento um tubo fino e flexível com câmera na extremidade é introduzido no paciente por uma pequena abertura cirúrgica na região abdominal. Sendo assim, ocorre a visualização do interior do abdome.
> Exames laboratoriais: um hemograma completo pode detectar a presença de anemia, que pode causar uma hemorragia interna. Também pode ser solicitado um exame de sangue oculto nas fezes.
> Ultrassom endoscópico: é uma técnica que utiliza ondas sonoras de frequência que produzem imagens em tempo real de órgãos tecidos e fluxo sanguíneo do corpo. O médico consegue visualizar as camadas da parede do estômago, assim como os gânglios linfáticos e outras estruturas.
> Tomografia computadorizada: por essa técnica é possível visualizar fatias de regiões do corpo, por meio da rotação do tubo emissor de raios-x ao redor do paciente. Alguns desses exames podem ter contraste, quando deseja-se observar mais claramente os detalhes e ter um diagnóstico mais preciso. Com a tomografia é possível realizar a biópsia em uma área suspeita de ter uma lesão cancerígena com precisão.
> Ressonância magnética: é um método de diagnóstico por imagem, que utiliza ondas eletromagnéticas para a formação de imagens. Permite avaliação dos órgãos internos, sem a utilização do raio-x e proporciona uma visão mais abrangente da região gástrica.
> PET-CT: a tomografia por emissão de pósitron (PET) mede os sinais da doença por meio de combinação entre medicina nuclear e análise bioquímica, que permite uma visualização do corpo por meio das moléculas. Só é utilizado em alguns casos, para averiguar se o câncer passou para outras partes do corpo.
> Radiografia de tórax: o procedimento verifica se a doença se disseminou para os pulmões.
Tratamento
O tratamento é definido de acordo com a fase em que a doença se manifesta, além de avaliar a saúde do paciente e a localização do tumor. Os procedimentos cirúrgicos são os mais comuns na fase inicial.
Nesses casos, pode-se realizar uma cirurgia endoscópica (onde retira-se uma parte do estômago) ou cirurgia radical, conhecida também como gastrectomia (partes do esôfago e do intestino podem ser removidas e o cirurgião pode precisar fazer uma reconstrução do trato digestivo para substituir o estômago).
Quando o tumor invade a camada muscular do estômago e/ou compromete linfonodos próximos ao estômago ou órgãos vizinhos, além da cirurgia radical, o tratamento pode incluir quimioterapia (antes para reduzir o tamanho do tumor ou depois da intervenção cirúrgica). Em alguns casos, a radioterapia pode ser um tratamento complementar. Há casos em que a cirurgia é realizada apenas como paliativa, pois o câncer está em estado avançado, mas ainda há hemorragias intensas ou obstrução do órgão causando desconforto para a pessoa.
Os pacientes que possuem tumores muito grandes podem ter a passagem de alimentos interrompida. Nesses casos, é possível introduzir uma prótese (stent) no local ou realizar uma cirurgia com o objetivo de ligar a parte sadia do estômago com o intestino delgado. Há também a possibilidade da colocação de sonda nasoenteral (pelo nariz), sonda colocada no estômago (gastrostomia) ou sonda colocada diretamente no intestino delgado.
Tratamentos mais comuns
> Ressecção endoscópica da mucosa: tumor é removido com auxílio do endoscópio, aparelho inserido pela garganta até o estômago.
> Gastrectomia subtotal: remove apenas uma parte do estômago, com o esôfago e a primeira parte do intestino delgado. Em alguns casos, o baço também é retirado. É utilizado em cânceres que estão na parte superior do estômago.
> Gastrectomia total: cirurgia em que o estômago é removido completamente. Outros órgãos próximos, como baço e intestino também podem ser retirados. Geralmente é feita uma incisão no abdome.
> Gastrojejustomia: quando o tumor cresce pode obstruir a passagem do alimento do estômago. Nesses casos, pode-se realizar uma cirurgia para prevenir ou tratar essa obstrução.
> Ablação tumoral endoscópica: há a opção de inserir um endoscópio no estômago para guiar um feixe de laser para vaporizar partes do tumor. É indicado para parar sangramentos ou aliviar uma obstrução, sem cirurgia.
> Terapia-alvo: são medicamentos quimioterápicos direcionados às células cancerígenas.
Fonte: INCA – https://www.inca.gov.br Atualizado em 08/2020 Pesquisado em 15/02/2021 ICESP http://www.icesp.org.br Atualizado em 07/2020 Pesquisado em 15/02/2021
Perguntas Frequentes
Alguns tipos de alimentos podem facilitar o aparecimento de câncer de estômago?
Quais são os tipos de câncer de estômago?
Qual a incidência da doença?
Qual é a relação entre a bactéria Helicobacter pylori o câncer de estômago?
A gastrite pode desencadear o câncer de estômago?
O que é endoscopia digestiva alta?
O refluxo pode ser um dos sintomas?